O gosto amargo da pílula vermelha
Este foi um fim de ano difícil para mim, culminando um 2005 que, salvo algumas exceções, quero esquecer. Foi o ano em que muitas ilusões nas quais eu acreditava piamente caíram, uma a uma. Principalmente em relação às pessoas. Amigos a quem eu votava o maior amor e respeito me decepcionaram com suas atitudes. Gente que considerei como uma segunda família me sacaneou. Percebi (finalmente caiu a ficha – o que não faz a carência afetiva!) que o amor de família não é incondicional, absolutamente. Gente da família é capaz das críticas mais cruéis, daquelas que só quem conhece a fundo os seus pontos fracos pode fazer.
Para completar a depressão, deu tudo errado no concurso. Tive uma crise nervosa na hora da prova oral, falei um monte de asneiras. O resultado saiu hoje, e é claro que não passei. Acho que, no fim das contas, não tenho mesmo competência para tanto. Estou me sentindo desanimada como nunca, traída por Deus (literalmente) e todo mundo, fracassada, perdedora, incompetente, burra, achando que decepcionei a todos os meus amigos que torceram por mim – e, principalmente, a mim mesma. Estou inclinada mesmo a me despedir definitivamente de meus dois blogs, deste e do Bregorama, porque sinto não ter nada mais interessante a dizer. Ainda não sei o que faço. Quem sabe não aparecem coisas mais decentes a se escrever que esse chororô que vocês lêem agora e que vai contra tudo o que eu penso a respeito de como se deve fazer um blog.
É muito duro pensar sobre isso tudo. Acredito que todos já devem ter passado por situações parecidas e sentido o fim de suas mais doces ilusões e projetos. Claro, o melhor é ser como os budistas. Saber que tudo neste mundo é ilusão, que o apego a essas ilusões causa sofrimento e que o melhor caminho a ser seguido é o do meio, sem grandes exaltações de alegria, nem grandes tristezas. Já fiz meditação budista e sempre achei essas idéias interessantes. Mais do que isso, inteligentes. Acontece que eu não sirvo para ser budista, devo ser italiana demais para isso... Ou só burra demais.
Escrito por Juliana Guido às 21h47
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