Rápida e solitária
Estava agora há pouco lendo a página de Aurélio, um conhecido ateísta do orkut. Embora ele invista contra as religiões em geral de modo muito insistente e agressivo, o que o torna chato, às vezes, ele tem um raciocínio apurado e escreve muitíssimo bem. Seu site tem alguns artigos inteligentíssimos sobre música, filosofia e cultura, maravilhosos. Em um deles, sobre o prazer, ele cita grandes nomes da filosofia. Este trecho em especial me chamou a atenção pela idéia nela contida. Uma porrada.
(...) “Kierkegaard diz que há duas maneiras de viver a vida: uma ética e outra estética. Por ética ele entendia a vida governada pela liberdade, o que só seria conseguido através da fé, da transcendência, do encontro com o absoluto. Estética para ele era tudo que "vinha de fora", do exterior. Esta circunstancialização impedia a liberdade, fazendo com que o homem fosse controlado pelas coisas que lhe causavam bem-estar, desejos e prazer.
A idéia de Kierkegaard - ético e estético - pode agora ser traduzida por objetividade e subjetividade. Neste contexto, conseguiu-se criar dicotomias e valorações acerca do prazer. Pode-se falar de prazer negativo e de prazer positivo. Prazer negativo é todo aquele gerado por situações alheias ao ser, vindas de fora, contingentes, aderentes, consequentemente alienantes. O prazer, neste contexto, é sinônimo de hábito, de vício, de repetição, de fixação, de perda da liberdade, de alívio desde que totalmente endereçado para aplacar necessidades e desejos. Prazeres positivos seriam os subjetivos, os da inteligência, os do espírito.”
A carapuça serviu direitinho em minha cabeça.
Escrito por Juliana Guido às 11h53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|