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Cansada, cansada, cansaaaaaaaaada!

Escrito por Juliana Guido às 21h13
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Sobre Branca de Neve e as expectativas femininas

Contos de fadas são narrados para crianças de ambos os sexos, pelo mundo todo. Mas ficam impressos com mais força no imaginário feminino. Não é preciso ser um gênio para saber o porquê: eles ensinam que devemos ser dóceis, belas (as feias são as filhas da madrasta) e sempre a postos para servir aos outros. Em suma, seja boazinha e o príncipe encantado virá em seu cavalo branco para levá-la ao reino mágico da vida perfeita...
Hoje sabemos muito bem que isso tudo é balela – pelo menos tentamos nos convencer disso. Não dependemos mais dos sete anõezinhos a quem devemos limpar a casa e fazer o almoço em troca de uma cama, em absoluta dependência material. Muitas de nós até achamos essa história de casamento uma enganação, que dá para viver sozinha, perfeitamente. Conta outra! Trocar lâmpadas e matar baratas não são exatamente coisas que as mulheres apreciem – isso para não falar do frio e do vazio meio incômodo do outro lado do sofá num domingo à tarde. De todo o vazio causado pela ausência de um bom companheiro. E, a despeito de todo nosso poder e independência isso tudo nos faz esperar, ainda que lá no fundo, o príncipe, aquele metrossexual gentil e ardente (uh la lá!) a bordo de seu carro reluzente. Certas coisas são muito difíceis de se remover do inconsciente. E o fato de saber que o príncipe pode não vir nunca só aumenta a ansiedade...
Será que ele vem um dia? Espero que sim. Mas adoraria que ele não tivesse aquelas roupas ridículas e aquela pinta de viadinho do príncipe da Branca de Neve. A propósito (deixem-me escorrer o veneno...), ele combina com a cara de troncha dela. Princesa por princesa sou mais a Fiona do Shrek, que sabe artes marciais e assume a sua porção ogra. E além de tudo tem aquele cabelo ruivo lindão!
Escrito por Juliana Guido às 21h12
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Sessão Nostalgia

Lembro com carinho do tempo em que dividia uma esfiha do Habib´s – uma só, chaplinianamente – com alguém querido.
E quando voltava a pé da FAU, subindo a ladeira da Vila Madalena com o coração saindo pela boca. Minhas pernas nunca foram tão bonitas.
Programa na rádio do CA da ECA.
A turma da faculdade, a festa do Equador.
O presente de Dia dos Namorados era um bibelô do Largo da Batata.
A cama era de solteiro.
A camisa, de brechó.
Tempos duros, claro. Mas divertidos. Havia o sonho.
O tempo passou. A arquitetura não abriu o espaço sonhado, não mostrou perspectiva, só um ponto de fuga. Prestei concurso, passei. Redecorei meu quarto, pintei as paredes, pus uma cama de casal, tapetes de sisal, um pufe e uma lava-lamp. Hoje ando de carro novo e compro minhas roupas no shopping. Mas não tenho com quem dividir o sushi...
Escrito por Juliana Guido às 21h11
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O RG de Dorian Grey
(Para Fabio Campoi, papiloscopista e filósofo)
Como os amigos sabem, trabalho com a emissão de RGs. E como é um trabalho no qual se lida diretamente com o público vemos cada coisa... Essa semana um senhor deu um escândalo com a atendente, esmurrou a mesa, gritou, foi um espetáculo. Depois soube por que: é que o RG dele, de 1970 e guaraná com rolha estava bloqueado e ele exigia o desbloqueio porque na época ele saiu mais bonito na foto...
Realmente, por mais que a gente tente lidar com a passagem do tempo da melhor maneira possível, não é algo fácil. Para mim, que segundo as outras pessoas aparentava menos idade do que tenho de fato, também não: fiquei triste ao depilar minhas sobrancelhas antes de meu 30º aniversário e notar um fiozinho branco (desde então já tirei uns três). Ruguinhas ao redor dos olhos e da boca, um ou outro fio de cabelo branco são testemunhas cruéis do tempo que passou, irremediável e irrecuperável, tais como a letra de Time (Pink Floyd). Fazem você lembrar de tudo o que teve vontade de fazer e não fez. Do que poderia ter dito e não disse. Do que disse e não deveria. E que o tempo é limitado para se fazer tudo o que se deve e o que se quer. Mas ao mesmo tempo podem ser marcas de uma história vivida escrita no rosto. Por exemplo, rugas ao redor da boca são lindas, via de regra nos falam de grandes e gostosas gargalhadas. Não gostaria de amadurecer com cara de criança, lisinha e inexpressiva, como quem dormiu os últimos anos numa câmara hiperbárica. Fica muito estranho. E esticar demais também não é legal, transforma a pessoa numa espécie de zumbi, além de ensejar especulações sobre quantas poltronas poderiam ser forradas com o que se tirou de pele a cada intervenção cirúrgica...
Melhor passar um creminho para a pele não ressecar muito e não causar mais rugas e desencanar. Temos muita coisa a fazer e a pensar, muito mais importantes do que pensar no próprio tempo que passou. Preocupação faz mal para a pele. E como diria minha mãe, mau humor dá rugas!
Escrito por Juliana Guido às 21h10
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Indisposta. Tremenda dor de garganta, arranhando como mil gatos brigando dentro dela. Rouca a ponto de parecer uma cruza de Nair Bello com Daniella Cicarelli. Com a impressão de ter levado uma surra, dor no corpo, moleza. Gripe, mesmo. Para completar, o monitor do computador deu um estalo e entrou em coma. Para quebrar o galho, o do velho computador da vó (que está uma arara sem poder jogar seu carteado de “paciência”...)
Escrito por Juliana Guido às 13h44
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Sorria, você está sendo filmado!

Meu irmão esteve aqui em São Paulo por esses dias e deu a dica do site Google Maps. Para quem, como eu, sempre adorou passar horas vendo um atlas, é fascinante ver imagens de satélite em zoom. A gente corre procurar a nossa casa, o prédio onde trabalha. É muito bacana! Mais ou menos como sobrevoar a cidade, vê-la em outra escala, como uma maquete. Adorei. Ao mesmo tempo ela me deixou preocupada, por lembrar que estamos, sim, sendo vigiados. Parece paranóia, teoria conspiratória, mas não duvido nem um pouco que minha vida, sua vida, a de todo mundo, esteja sendo monitorada neste exato momento, seja por interesses políticos, de segurança (especialmente depois daquele 11/09) ou comerciais. Os piores temores do senhor Eric Arthur Blair, aka. George Orwell, se confirmaram neste época louca. Definitivamente o Grande Irmão está de olho em você...
Bom, já que não há jeito, mesmo, pelo menos aproveitemos a beleza das imagens de um mundo conturbado, agredido, machucado – mas ainda azul.
Escrito por Juliana Guido às 13h44
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Memorial de execução da obra (5)

Eles estão construindo uma média de um andar a cada dez dias, num ritmo frenético. Sobem as fôrmas da estrutura, concretam e mal as desenformam já sobem a do andar seguinte. Remetem imediatamente a uma musiquinha da banda Housemartins, sucesso do fim dos anos 80. They work so fast that made us sick, oh, build, ooooh, build (house where we can stay) ba ba ba ba build… (essa foi pra vocês, banda!)
Escrito por Juliana Guido às 13h42
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Um momento feliz desta semana

Poucos lugares neste mundo me deixam mais à vontade que um palco. Como diria Gilberto Gil, minha alma cheira a talco. Verdade! É como se eu me tornasse criança, livre, desinibida, solta. E me sinto mais à vontade ainda quando se canta com uma banda cujos membros têm sintonia e empatia. Cria uma energia muito positiva, que se transmite para a platéia, que a manda de volta para nós, num delicioso crescendo... Bom demais!
PS - Você pode ver mais fotos deste e de outros momentos felizes no site da banda...
Escrito por Juliana Guido às 13h41
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Absurdo!
Falei logo abaixo da vitória do São Paulo na Libertadores, mas só fiquei sabendo depois do quebra-quebra promovido por imbecis trajando a camisa tricolor na avenida Paulista. Péssimo! Isso desmoraliza, mais que a torcida, o próprio time. Por causa desse pessoal eu também tive que ouvir um monte. E todos os são-paulinos sérios, ordeiros, que não têm nada a ver com o vandalismo, também devem ter ficado com as orelhas em chamas!
Escrito por Juliana Guido às 13h39
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