Nana-o-rama


Rabiscos tardios sobre o Dia da Mulher

 

Hoje de manhã minha mãe me mandou um torpedo com dois trechos de músicas cantadas por Elis Regina. Transcrevo-os para a apreciação dos amigos: “Mas é preciso ter raça, é preciso ter força, é preciso viver e aprender a jogar. Feliz dia da mulher!”. Tá. Ela citou clássicos. Eu acrescentaria uma releitura de outro trecho. Queremos viver e não apenas aguentar!

Como diria Clarice Lispector, só nós sabemos o que é ser mulher... E eu acho muito bom. Não me imagino como homem. Deus foi muito bacana comigo. Ser mulher é algo muito interessante! Via de regra é ter o emocional exacerbado e uma sensibilidade diferente. Claro, existem exceções. Não dá para dizer que Condoleezza Rice seja, digamos, sensível. E Chico Buarque compõe sob um ponto de vista feminino – e não é gay. Intuição, paciência, charme, um nadinha de malícia – ingredientes de uma receita bem-sucedida.

A feminilidade é especial. Nosso corpo é especial. Tem curvas mais suaves. Tudo é mais suave. Mesmo sendo mulher e gostando de homens, é mais gostoso desenhar a figura feminina.

O ideal é poder juntar a sensibilidade feminina à inteligência, que não tem sexo. Meiga sem submissão. Feminina sem afetação*.  Eis a fórmula do nosso poder.

 

*Mãe, lembra dessa história?

 



Escrito por Juliana Guido às 21h00
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Telemarketing, cartão de crédito e outras pragas

 

Meses atrás recebi pelo correio um cartão de crédito suplementar, de outra bandeira que não a que normalmente uso. Naturalmente, o cartão foi enviado contra a minha vontade. Na mesma hora peguei o telefone, liguei para a central de atendimento e pedi que cancelassem, porque eu não iria desbloqueá-lo (como não desbloqueei até agora) nem tinha interesse nele. Nesse meio tempo eles ligaram várias vezes, perguntando sempre se eu “estaria interessada em estar conhecendo (sic) as vantagens oferecidas pelo nosso cartão”, ao que sempre respondi que não, com a maior paciência do mundo. Inclusive precisei pedir encarecidamente que não ligassem às 9:30 da noite, porque eu moro com meus avós e nós dormimos cedo! Meu avô atendeu uma vez, absolutamente apavorado, achando que fosse algo muito sério. Não tem cabimento. Isso não é horário para ligar na casa das pessoas para encher o saco!

Bom, eles deram uma trégua nos últimos tempos e achei que estivesse tudo bem. Mas eis que ontem à noite pego minha correspondência: a cobrança da anuidade do cartão...

Foi a conta. Minha paciência se esgotou. Liguei hoje de manhã, muito **** da vida e manifestei de forma muito veemente meu desagrado com a atitude ilegal, desonesta e constrangedora da operadora do cartão. Fui dura com a atendente, que me respondeu com a maior frieza (esse pessoal deve ser treinado pela KGB para resistir impávido aos maiores impropérios, só pode ser). Eu sei que a atendente não tem culpa e disse isso a ela, mas também que acharia muito bom se a ligação estivesse sendo gravada para que registrasse minha profunda insatisfação com a atitude. Mas não consegui resolver de pronto, fui aconselhada a ligar um pouco mais tarde.

Liguei a primeira vez, expliquei a situação e a moça do outro lado da linha me encaminhou para o setor de cancelamentos. Dez minutos na linha, com aquela musiquinha que já estava ficando irritante. Desliguei e tentei de novo. Dessa vez foi só a musiquinha. Na terceira me enfezei legal e dei um ultimato bastante raivoso: ou a atendente me passava RAPIDINHO com o tal departamento, porque já tinha ficado dez minutos esperando feito uma idiota e não toleraria mais tamanha falta de respeito, ou iria ao PROCON! Não quis saber da alegação da moça (“Dá pra me ouvir? A senhora deve entender que estamos sobrecarregados”). Ninguém está sobrecarregado para me ligar em casa tarde da noite, pô! E certamente me atenderiam com presteza se fosse para desbloquear o cartão! Danem-se. Não tenho nada com isso.

Não deu certo. Fui ao PROCON e tive um atendimento excelente, apesar da demora na espera.

Com esse episódio chego à triste conclusão de que estamos em plena festa da uva. Os bancos e operadoras de cartão de crédito podem “estar fazendo” o que bem entenderem. E você? Não “deve estar se irritando”... Quando é que alguma autoridade vai “estar fazendo” alguma coisa para controlar essa gente? E quando é que vão “estar eliminando” esse maldito gerúndio de telemarketing?



Escrito por Juliana Guido às 20h56
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Sexta-feira eu vi uma rainha cantar

Não, esse título não é exagero meu, não. Inezita Barroso é uma rainha. Tem toda a dignidade e grandeza inerente à essa condição. Domina o palco com sua presença avassaladora e sua voz potente. A interpretação é magnífica: imprime humor, tristeza, nostalgia e ternura nas músicas.

Já assisti a muitos bons shows durante minha vida, e o de sexta-feira foi excelente, também. Claro, é muito diferente do que seria previsível para uma pessoa de 30 anos (aliás, minoria na platéia do SESC Pompéia – a média de idade era compreensivelmente mais alta) – amigos meus ficam espantados quando digo que gosto de Inezita (“mas você gosta?!?!?”, mais ou menos como se eu dissesse que costumo pôr doce de leite em cima do bolinho de bacalhau). Mas justamente por ser diferente foi bacana. Do set list, eu conhecia poucas músicas – talvez o “Boiadeiro”, o “Lampião de Gás”, o “Rio de Piracicaba”, “Felicidade”, "Flor do Cafezal" (que pena, ela não cantou a “Marvada Pinga”). E ela me surpreendeu com uma jóia descoberta em Minas Gerais, chamada “Benzim” (assim mesmo, benzinho pela metade). Que coisa linda!

Eu quero ser alguém como ela quando crescer. Ainda faltam milhões de anos-luz para isso. Com 30 anos eu sou ainda muito pequena, estúpida, infantil e idiota, o que me sujeita a vexames e esbregues em catadupas vindos de todos os lados. Sou capaz de perder a razão que tenho por pura burrice e impulsividade. Tenho, ainda, muito arroz-com-feijão pra comer. Tive essa constatação ao ver e pensar sobre uma grande artista de 80 anos e muita arte e beleza a oferecer ao mundo.

Minha mãe sempre me disse, desde a minha infância, que eu poderia ser uma rainha ou uma vassala. Infelizmente acho que estou no caminho errado. Espero estar ainda a tempo de corrigir a rota. Mas não pretendo virar uma rainha arrogante, com jeito suficiente de quem tudo sabe e tudo vê (e às vezes não sabe tanto assim – rainhas ainda são humanas, portanto, falhas). Tenho que achar meu próprio caminho para a realeza.

 

PS - Eu tive a chance de conversar com Inezita Barroso e lhe dar um abraço. Fui recebida em seu camarim com a maior simpatia e gentileza possíveis. Rainhas são mesmo diferentes.

 



Escrito por Juliana Guido às 10h01
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Auguri! Grazie!

Tamy, mais uma vez, parabéns pelo aniversário. Você é uma amiga querida, saiba disso. Fabiano, Segundo e Fernanda, um grande abraço. Seu Moacir, dona Leda: obrigada pela excelente noite em sua casa. Mais uma vez fui tratada a vela de libra, mas sem frescura, do jeitão divertido de vocês. Adorei.



Escrito por Juliana Guido às 10h00
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Uma observação ressentida

Mãe, escrevi e revisei estes textos todos de hoje em quinze minutos. Até porque tenho que fazer as unhas (que estão em estado lastimável) e treinar duas músicas para um ensaio hoje à tarde com uma potencial nova banda. Não devo levar com este blog mais tempo que você leva para escrever suas crônicas anti-MST (que, lamentavelmente, ainda não consegui ler – o link do site do seu jornal para o texto não funciona, de modo que só pude ler seu título e imaginar, pelo seu teor, que seja mesmo seu), ou mesmo com seu diário, que você, como pessoa que gosta de escrever, deve continuar produzindo. Este blog não toma todo o meu tempo, acredite. Mesmo que você, do alto de seu pedestal, pense que não, eu tenho mais o que fazer!



Escrito por Juliana Guido às 09h59
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