Nana-o-rama


Alta fidelidade

     

 

 

        Eu adoro gravar meus CDs. A indústria fonográfica que esperneie, o fato é que conheço poucos CDs que podem ser ouvidos de cabo a rabo porque TODAS as músicas são legais – a única exceção que me ocorre no momento é “The Joshua Tree”, do U2. Tá certo, não é sempre que nós mesmos conseguimos gravar uma sequência assim tão perfeita e absolutamente irretocável. Mas convenhamos, a chance é bem maior. E mais, para alguns xaropes da minha espécie fica difícil achar um bom CD de música brega ou trilhas sonoras de Bollywood, por exemplo – tem coisas que só se conseguem baixar via Kazaa. E acho fabulosa a idéia de gravar um CD em casa como quem gravava uma fita cassete nos velhos tempos (e eu achava que bacana mesmo era um gravador double-deck como o que ganhei de minha mãe quando fiz 15 anos... não é feitiçaria, é tecnologia!). Eu adoro meus CDs. Tenho até o cuidado de bolar programações visuais para a capa – eles não ficam com aquela cara fria, tão improvisada.

        Quero dividir com vocês algumas listas, mais ou menos no estilo “Alta Fidelidade”. (Acreditam que até agora não assisti esse filme? Mas li a respeito e sei que fala de um carinha que trabalha em uma loja de discos e se diverte fazendo listas – as mais isso, as mais aquilo. Vai daí, achei a idéia boa.). São músicas que eu ouço em meu dia a dia e que REALMENTE gosto.



Escrito por Juliana Guido às 18h47
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Músicas para um CD romântico - 1

 

Vou começar por um tema bastante óbvio... Imagine que você quer gravar um CD para dar de presente a sua cara-metade. Não, não precisa ser Dia dos Namorados: pode até ser, sem problema, porque a lista é legal e ás vezes a gente está duro, mesmo. Já aconteceu comigo, e o pior é que na época não tinha ainda gravador caseiro... (acabei fazendo um envelope cheio de trechos de poesias, músicas, etc para ele, e incluí coisas tão díspares quanto Dante Alighieri, David Bowie e Mamonas Assassinas). Mas pensei nesta sequência como um pequeno mimo para lembrar da pessoa amada, sem necessidade de uma data específica.

A lista é bastante eclética, como vocês verão. Tem músicas mais óbvias para o gênero e outras nem tanto – escolha as que melhor se aplicam ao caso. É feita para provocar emoções como o riso, um pouco de tristeza, a alegria, a paixão – todas essas coisas que normalmente integram um amor...

 

- “Você é tudo pra mim” (Ângelo Máximo) – é brega, sim. Está na trilha sonora de “Domésticas, o filme”, sim. Mas repara só na declaração de amor que ele faz! Super-romântica. E o arranjo? Belle & Sebastian faz umas coisas parecidas e são consideradas chiques...

 

- “Is your love strong enough?” (Bryan Ferry) – uma opção bonita e interessante a “Slave to Love” – bacana, mas batida demais, vocês hão de convir. É no mesmo estilo, tem uma melodia gostosa. E a letra é legal: “seu amor é forte o suficiente/como uma rocha no mar?”

 

- “Close to you” (Carpenters) – eu disse lá em cima que não ia fazer um CD babão? É, só que essa merece. É tão meiguinha e breguinha... (viva Burt Bacharach!)

 

-“La vie em rose” (Grace Jones) – lembra dela? Grace Jones era aquela jamaicana alta, esguia e negra como a asa da graúna. Parecia uma vinheta publicitária e atuou em um filme do 007. A voz dela é ótima – e essa versão do clássico cor-de-rosa made in France ficou bárbara!

 

 



Escrito por Juliana Guido às 18h45
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Músicas para um CD romântico - 2

- “As the world falls down” (David Bowie) – essa é obrigatória! Uma balada romântica de respeito, retrato acabado do gênero. Foi trilha sonora de “Labirinto, a Magia do Tempo” e me faz sonhar com um Rei dos Duendes... (Mas serve também para o caso de você já ter seu rei ou rainha). 

- “In your room” e “It´s no good” (Depeche Mode) – eis uma banda interessante. O som é tecno, filho do Kraftwerk e pai de todos os poperôs que pululam em nossas rádios. Mas não é frio. Apesar da presença maciça de instrumentos eletrônicos, as guitarras são quentes. E a voz de David Gahan fica naquele meio-termo entre o contido e o passional. O resultado é sensual, opção interessante para aquelas cenas de alcova. “It´s no good” é uma declaração direta: “vou aguardar pacientemente/até que você venha para meus braços abertos/você vai se tocar/ou teremos que esperar que nossos mundos colidam?”. (Acho que depois dessa vou precisar fazer uma lista com músicas específicas para as ocasiões que citei aqui... mas fica para outro dia!) 

- “Blue Savannah”, “A little respect” e “Oh, l´amour” (Erasure) – já que falamos em Depeche Mode… O Erasure é, por assim dizer, irmão dele – gêmeo univitelino. Originalmente seus componentes formavam uma banda só, que se separou. As músicas que citei acima são bobinhas, gostosas e, para mim, tem um quê de nostalgia, já que tocavam na época de minha adolescência. Talvez você sinta o mesmo... Home is where the heart is! 

-  “The look of love” (Dusty Springfield) – arranjo gostoso meio bossa-nova, que remete a uma praia, ao Hotel Marina acendendo – claro, fica óbvio porque foi trilha sonora de novela das oito (tá, Manoel Carlos, pensei nisso quando passava pelo Leblon, alguns réveillons atrás). É uma música legal. E eu sempre achei que com aquela voz quente e oleosa Dusty fosse uma mulata americana (ele era loira e inglesa). 

- “Você” (Tim Maia) – eu adoro o Tim Maia! E nessa ele se superou. Uma música de amor com tempero soul. Os Paralamas também tem uma versão mais para o reggae, gostosinha, também. Mas a original é melhor. Outra sugestão do síndico: “Eu amo você” (com um nome desses pedimos vênia para dispensar quaisquer comentários). 

- “Meu sangue ferve por você” (Sidney Magal) – não torça o nariz ainda! Preste atenção na letra e na música. Uma declaração de amor sensualíssima, muito longe de ser brega.   

- “Absolute Beginners” (David Bowie) – essa é hors-concours! Define à maravilha o que sentimos com um grande amor. Aquele que supera todas as dores de cabeça. Foi tema principal do filme de mesmo nome – uma porcaria por sinal. Mas música é maravilhosa! E o Bowie é mais ainda. Que voz, caramba! É até covardia. 

- “By my side” (INXS) – Baladona poderosa, merece entrar em qualquer coletânea romântica. Poderia citar “Never tear us appart”, deles também e belíssima, mas ficou ainda melhor com o Joe Cocker!  

- “You are so beautiful” (falando em Joe Cocker...) – eita voz de lobo mau! Eu adoro esse cara. E essa música é maravilhosa. Nem é bom falar. 

- “With or without you”, “All I want is you” e “Stay (faraway, so close!)” (U2) – as baladas mais lindas de uma banda que eu amo. Pode gravar sem medo. 

- “Haja o que houver” (Madredeus) – eis um grupo bastante interessante lá da terrinha. Lembro de um aniversário de minha mãe quando dei um disco deles de presente para ela.  Nós duas adoramos. É bem bacana: arranjos elaborados e a voz de Teresa Salgueiro, super aguda. A canção que cito é da minissérie global “Os Maias”. Quase uma toada. Uma letra forte (“eu sei quem és para mim/haja o que houver espero por ti”) – é romântica, mas minimamente crítica: a escolha foi feita. Não é para se oferecer a qualquer um(a)...

 



Escrito por Juliana Guido às 18h41
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Músicas para um CD romântico - 3

-“Be my baby” (Supremes) – uma declaração de amor retrô bem gostosa e bacaninha para o querido de seu coração (funciona para meninas).

 

- “Is this love?”(Whitesnake) – baladão rock da melhor qualidade. Uma delícia de ouvir.

 

-“Message of love” (Pretenders) – um homem e uma mulher devem ficar um ao lado do outro. Cuidar um do outro. O amor chega e é muito, muito bom. Afinal, não é isso que procuramos numa relação? Chryssie Hynde é uma das minha cantoras preferidas e produziu outra beleza para um filme de James Bond, essa mais difícil de achar:“If there was a man”. Experimentem. É uma linda balada, curtinha (pouco mais de dois minutos) e muito gostosa.

 

- “Iwas born to love you” (Queen) – derramada e exagerada como o próprio Freddie Mercury, é ideal para aquela fase apaixonada, quando você está certo que é o homem para ela, e ela é a mulher para você...

 

-“Your song” (Billy Paul) – era uma canção para piano do Elton John, bonitinha,bem escrita e bem tocada – e só. Era meio fria, faltava alguma coisa. Aí veio Billy Paul e emprestou seu suíngue único e sua voz meio suja, quente e sensual para transforma-la numa obra-prima!

 

-“Don´t want to miss a thing” (Aerosmith) – minha amiga Tamy inovou em seu casamento. Ao invés de entrar com a mega-batida e execrável Marcha Nupcial,encomendou um arranjo dessa música– e ficou muito legal! Depois dessa prestei mais atenção na canção.É, a música é boa, mesmo.

 

- “A girl like you” (Edwyn Collins) – pop gostoso, com toques retrô.Certamente agradará àsua garota.

 

- “Só você” (sugiro a versão do Capital Inicial) – se você foi pelo menos criança na década de 80 há de lembrar dessa música, originalmente de Vinícius Cantuária. Ela é bacana! Tem também aversão do Fábio Jr., meiguinha, tá, mas não faz muito o meu estilo...

 

-“Rosa” (Marisa Monte) - é a menos óbvia canção de amor dela. Opa, não é dela:foi composta por Pixinguinha no início do século 20 e tem aquele inequívoco jeito de relíquia d´antanho. Uma cantiga de coita d´amor, como diria meu querido FT, professor de literatura do Objetivo.

 

-“Somebody to love” (Janis Joplin) – descobri essa música no Kazaa semanas atráse adorei – aliás, eu amo Janis Joplin. Sou suspeitíssima para falar dela. É um daqueles souls dela, poderosos, e ela está em sua melhor forma, a voz límpida.Mas ainda acho que Janis tem mais a ver com uma lista de músicas para “antes,durante e depois”!

 

- “Ifound a love” (Etta James) – mais soul! Jamesetta Hawkins foi uma das grandes inspirações para Janis. Entre outras músicas quentes e sensuais, gravou essa verdadeira ode ao encontro do amor. E encontrar um amor não é bom?

 

Acho que por enquanto é isso aí. Claro que deve ter faltado alguma coisa. Podem chiar. A lista será sempre incompleta, dada a variedade de estilos e o grande número de obras românticas... E se vocês acharam essa papo de amor muito bobo, prometo que em breve farei uma lista de músicas de dor-de-cotovelo e amores mal resolvidos...

  



Escrito por Juliana Guido às 18h33
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Muito obrigada, amigos!

Quero agradecer aqui o carinho de vocês com este blog. De minha parte está sendo uma experiência muito bacana escrevê-lo. Vocês não sabem que se não tivesse prestado Arquitetura teria feito Jornalismo? Sim, ele é quase uma experiência jornalística. E quero fazê-lo cada dia melhor. Trazer conteúdo, inteligência e qualidade. Para vocês,viu?

E vocês acham que um cantor faz um show pelo nada? A gente se alimenta de aplausos. Não foi o Érico Veríssimo quem disse que, no fundo, toda crítica positiva é um beijo no espelho? Obrigado.



Escrito por Juliana Guido às 18h16
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O cartão do Senhor

   

 

        Já há algum tempo o quiosque da foto, localizado na estação Sé do Metrô, me chama a atenção. É o ponto de venda de um cartão de crédito/débito voltado para o público evangélico.

        A publicidade desse tipo de produto sempre procurou ressaltar a exclusividade, o fato de se destacar dos demais, ser vip. Alguns evangélicos, mesmo sem cartão, se sentem assim, como se fossem melhores que os demais*. Discriminam todos os outros que não rezam (ops, oram) por sua cartilha. Gente extremamente sectária. Ou seja, quem pensou em oferecer um produto tão exclusivo para esse segmento não precisou torrar muitos neurônios no apelo publicitário...

        Essa questão de auto-afirmação agressiva de grupos religiosos (não só evangélicos: outra coisa que me provoca arrepios é ver aquele adesivo de carro escrito “sou feliz por ser católico!”) me incomoda profundamente. Sei que, em princípio, o objetivo da religião, como diz sua raiz latina, é religar a pessoa a um Ser Superior – seja qual for o nome você dá para Ele. Assim se obtém desenvolvimento espiritual, o que pode nos tornar pessoas melhores se essa espiritualidade for vivida com seriedade. E a verdadeira espiritualidade dispensa alarde, barulho ou auto-afirmação. Se você está de bem ela, certamente não precisará esfregar na cara de todo mundo o seu UniãoCard ou aquele adesivo de carro!

(Não sei se é coincidência, mas nunca vi um beneditino – certamente uma das últimas reservas morais da Igreja Católica – com um adesivo assim. Ou um budista com um adesivo “sou feliz por ser budista”. Espíritas? O máximo que já vi é “Leia Kardec”, uma mera sugestão que pode ou não ser seguida.) 

E a própria idéia de um cartão evangélico me é estranha. Em princípio, material e espiritual não são tranquilamente miscíveis. É o mesmo estranhamento em relação a algumas práticas da Igreja Universal. Ouu então resolveram levar aquela frase a sério: se Deus é o caminho, Edir Macedo é o pedágio (e o padre Marcelo é o personal-trainer!)

 

* Para não ser acusada de parcialidade. Falei que alguns evangélicos se acham melhores que todo mundo. Não só eles. Adventistas também costumam se fechar, como se fossem os eleitos de Deus (como ter tanta certeza disso?). Vocês já repararam em alguns grupos católicos? Eles também acham que (só eles) são de Deus, o resto é “do mundo” (uma visita a comunidades carismáticas no orkut ou ao site da Canção Nova pode corroborar esta observação).

 



Escrito por Juliana Guido às 17h50
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Metrô TV

 

 

 

        Agora o Metrô de São Paulo começou a instalar telas de plasma em alguns trens. Hoje eles estavam desligados nos trens da linha verde (Paulista), mas já vi alguns em ação. Claro que, dada a volatilidade do público, a programação é extremamente fragmentada: comerciais do fabricante da tela, drops culturais, frases de rodapé. E, claro, propaganda do Governo do Estado (não aguento mais ver aquele logotipo!).

        Acho estranha a ação. Pela própria natureza, o passageiro do metrô é extremamente disperso, não fixa a atenção na tela. Se o trem estiver lotado, então, impossível. Por que esse gasto? Para fazer bonitinho? As telinhas parecem mais uma decoraçãozinha de fundo. Decoração cara, por sinal. Tá, podem argumentar que as telas foram dadas e instaladas pelo fabricante, o que justificaria as propagandas. Mas será que o metrô não tem outras prioridades? De anos para cá ele está cada vez mais lotado, com falhas técnicas mais frequentes. A escada rolante para subir da estação Vila Madalena, por exemplo, está parada há dois dias. Não seria muito melhor investir em infraestrutura e conforto real dos passageiros?



Escrito por Juliana Guido às 17h48
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Uma pequena bronca em Mr. K.

Not they, but YOU can fix everything.

Não lamente o coração partido. Talvez ele ainda doa porque está em processo de cicatrização – e, se você já fez alguma cirurgia, sabe do que estou falando, o corte comicha, mesmo. É um saco. Não fique jogando salmoura. Não é a melhor coisa para curá-lo e ainda vai doer pra caramba. Não reclame com ele. Trate-o com carinho. A dor passa.

PS - Obrigada pela lembrança! Agora, O Homem que Caiu na Terra é um dos filmes mais esquisitos que já assisti. É bem pouco palatável, mesmo com o Bowie - o que eu gosto mesmo é da trilha sonora! Ouça "Wild is the wind" por mim. Um grande beijo.

Ah, antes que eu me esqueça: parabéns pela formatura!

 

 



Escrito por Juliana Guido às 17h46
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