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Neurônios X Silicone: o combate do século (1)
Hoje de manhã, no trabalho, ouvi dois colegas comentarem sobre o Big Brother, programa que considero absolutamente execrável... Sei que por essas e outras devo passar por chata e esnobe, porque quase todo mundo adooora falar do Big Brother, mas manifestei minha opinião. É a seguinte: pessoas trancadas por semanas seguidas numa casa, sem contato com o mundo exterior têm seus mundos brutalmente reduzidos. Se as pessoas em questão são escolhidas só pela barriga-tanquinho ou pelo tamanho do busto – e esse parece ser o critério da produção – xi, ferrou-se. O mundo fica menor ainda. A mesquinharia e a picuinha abundam, sem trocadilho. A conversa é tão profunda quanto um pires: essa semana li no jornal que duas participantes estavam discutindo com a maior seriedade o melhor método para se manter os cabelos lisos com a umidade da piscina! (Sem dúvida coisa de importância capital para quem está o tempo todo sob a mira das câmeras.) Outro participante, o médico eliminado com número recorde de votos – e isso, por acaso, assisti por estar em casa de amigos – ao ver imagens de sua família teve uma reação histérica e me fez imaginar que sua especialidade era a andrologia, de tanto que gritou um determinado palavrão. Um espetáculo ridículo, principalmente em se tratando de uma pessoa com nível educacional mais elevado... Mas no caso dele a pobreza de espírito também é elevada.
Depois disso pensei num contraponto brutal para tamanha mediocridade. Encontrei. Foi um filme que assisti neste Carnaval, na casa de minha amiga Rose, em Bauru. É “As Invasões Bárbaras”, produção franco-canadense dirigida por Denys Arcand. Se não me falha a memória chegou mesmo a ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro, e se ganhou, foi muitíssimo merecido.
Para quem não assistiu, o filme trata da morte e de relações humanas. Um professor universitário está morrendo de um câncer raro, particularmente agressivo e incurável. Ele é uma pessoa que vive de acordo com o que pensa – tanto que recusou a transferência para outro hospital por ter defendido a universalização da saúde pública... Também amou muito, muitas mulheres. Seu filho é um yuppie, todo certinho, e, lógico, o filme explora o choque entre os dois. Mas o que tem a ver “Invasões Bárbaras” com o Big Brother? No fim do filme, o filho compra uma bela casa de campo para que o pai viva seus últimos dias cercado por quem mais amou em sua vida: família, amigos, as mulheres, boa comida, boa conversa... Sim, porque as pessoas reunidas na casa têm algo a dizer. Conversam interminavelmente ao pé do fogo, falam sobre ideais, utopias em que acreditaram. Um diálogo rico, delicioso de se assistir. Sem restrições, sem futilidade.

Escrito por Juliana Guido às 19h38
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Neurônios X Silicone: o combate do século (2)
Quando fiz esse contraponto (vitória por nocaute no primeiro assalto, claro) imaginei o quanto eu adoraria ver um reality show que lembrasse um pouco a reunião na casa de campo do professor Rémy. Só gente realmente inteligente e de alto nível cultural: professores, artistas de verdade, intelectuais. Poderia se chamar até, veja só, Casa dos Cientistas. Talvez seja meio complicado executar a idéia, porque gente com um pouco mais de cultura e profundidade dificilmente toparia se fechar por tanto tempo numa casa. Bom, talvez fosse só diminuir a duração do programa para, digamos, uma semana. E, obviamente, eliminar as câmeras posicionadas nos banheiros (que curiosidade besta que algumas pessoas têm de ficar vendo os outros tomarem banho... até parece que não sabem como é) e quartos. A missão do grupo seria partir de uma teoria qualquer, que poderia mudar a cada dia, Não haveria uma premiação: o prêmio seria nosso, o prazer e o deleite de ver gente que tem algo mais profundo a transmitir. Até porque acredito que exista mais gente além de mim que considera a inteligência humana algo afrodisíaco e muito mais sedutor que um corpinho malhado.
Está lançada a idéia. Bom, talvez o resultado final seja parecido com alguns programas como, por exemplo, o Saia Justa (é só tirar a Fernanda Young, que em minha opinião fala, fala e diz muito pouco). Um ambiente informal, gostoso, uma iluminação mais difusa. Quase um barzinho, uma reunião de bons amigos, um bom vinho, um papo gostoso e bem humorado. Até o Pedro Bial poderia participar – poucos no Brasil entendem de Guimarães Rosa como ele. Pena que se disponha a fazer esse papel triste de mediador de picuinhas dessa verdadeira ***** que é o Big Brother... Deveria ser mais seletivo. Mas para quem topa fazer uma biografia laudatória do Senhor Presidente das Organizações Globo, Jornalista Roberto Marinho, talvez seja tarde demais para isso.
PS – Tomei vergonha na cara e dei uma pesquisada sobre o filme. Sim, ele ganhou o Oscar. Que bom.
PS2 - A dor de cabeça melhorou um pouco. Segundo Dr. Ibrahim pode ser só uma sinusite. E Dr. Daniel me mandou fazer óculos para perto. Estou ficando velha! (risos)
PS3 - Já vivi uma situação gostosa como a que descrevi... Foi em agosto passado, na ilha do João do Couro em Conceição do Araguaia (PA), onde vive minha mãe (a foto está no post de baixo). Os amigos dela são ótimos, verdadeiras personagens de literatura. Foi fantástico: boa comida, bom papo, boa música em meio a uma paisagem de sonho... Como diria minha amiga Gisele, "Ô vidinha mais ou menos... se fui pobre não lembro, se fui rico, roubaram..."
Escrito por Juliana Guido às 19h27
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Não teve jeito. Minha cabeça continuou doendo hoje. No trabalho, eu olhava para o computador e tudo se embaralhava na minha frente. Acabei indo ao médico hoje à tarde, e me injetaram uma Novalgina na veia
Engraçado. Mesmo com a cabeça doendo hoje eu me senti tão leve! Leve como só nos sentimos com a felicidade. Tão bom quanto um mergulha no Araguaia, lindo e acolhedor. Keith Moon finalmente resolveu dormir.

Escrito por Juliana Guido às 18h34
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De saco cheio (1)
(lista feita num dia de dor de cabeça infernal, como se um Keith Moon possuído esmurrasse as pobres paredes internas de minha caixa craniana...)
Eu odeio quando minha avó fica sem falar comigo sem mais aquela
Eu odeio propaganda eleitoral (se aparecer o Alckmin, então... bom, melhor não assistir a TV)
Eu odeio aquelas pulseirinhas de aço ditas “italianas”, vendidas em camelô
Eu odeio torpedos de minha operadora anunciando o último toque de Sandy & Jr (aliás, odeio os dois também)
Eu odeio quando o Joaquim me acorda às 4:30 da manhã batendo o sininho de vento da minha janela
Eu odeio pegar metrô lotado
E odeio quando vejo um velhinho em pé ao lado de algum marmanjo confortavelmente aboletado
Eu odeio caneta falhando
Eu odeio quando o computador trava
(principalmente quando estou editando uma imagem e esqueci de salvar)
Eu odeio o Big Brother
Eu odeio quando alguém diz que estou gorda mas que isso é porque “eu me preocupo com sua saúde”
Eu odeio a risada da vizinha duas casas acima da minha
Eu odeio pneu furado
Eu odeio mentiras descaradas
Eu odeio chantagem emocional
Eu odeio apresuntado
Eu odeio ficar na expectativa de alguma coisa – qualquer coisa
Eu odeio telemarketing (o do meu banco, então... já estou tirando sarro deles para não morrer de raiva)
Eu odeio endocrinologistas
Eu odeio dias úmidos
Eu odeio expressões como "ninguém merece", "só por Deus" e as últimas da novela das oito, repetidas ad nauseam por aí
Escrito por Juliana Guido às 15h08
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De saco cheio (2)
Eu odeio arquitetura neo-neoclássica
Eu odeio blusas de suplex
Eu odeio a mulher de meu tio (não quero o mal, quero distância)
Eu odeio ver gente sendo feita de idiota
Eu odeio pagar pedágio
Eu odeio tomar multa
Eu odeio buracos na estrada
Eu odeio gente de mentalidade estreita
Eu odeio alho
Eu odeio “Festa no apê”
Eu odeio vendedoras que me chamam de “colega”
Eu odeio Coca-Cola quente
Eu odeio o Shop Tour
Eu odeio a Canção Nova
Eu odeio moda de novela
Eu odeio Chitãozinho & Xororó e sua gangue breganeja
Eu odeio livros de auto-ajuda
Eu odeio cidades sem esquina
Eu odeio entrar no vermelho
Eu odeio bege...
Eu adoraria que essa dor de cabeça passasse. Acho que vou dar uma cochilada. Quem sabe eu consiga fazer uma lista com "eu amo". Vou pensar no Araguaia, talvez funcione.
Escrito por Juliana Guido às 15h07
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Um pouco de beleza

Hoje estou meio sem idéias para escrever, mas quero dividir algo com vocês: o mais bonito fenômeno desta época do ano, que são as quaresmeiras em flor. Tenham um dia florido!
Escrito por Juliana Guido às 17h59
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