Nana-o-rama


É carnaval...

Hoje, como todo ano, estou me preparando para sair nas minhas duas escolas do coração: a Acadêmicos Trancados no Quarto e a Unidos do Fone de Ouvido! Ou quase isso. Tomarei agora o rumo da roça. Vou para Bauru encontrar família e amigos, bater papo, ouvir alguma música que não seja na linha “no outrora antigamente / faz muitos anos atrás” e não me obrigar a uma alegria falsa, fabricada. O que não significa não dar boas risadas...

Tenham um excelente feriado, aproveitem do jeito que mais agradar - seja trancado no quarto ou no meio da avenida. Cuidem-se. Até a volta! 



Escrito por Juliana Guido às 08h43
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Transformações - direto do orkut

Essa semana, estava em uma comunidade do orkut que gosto muito, que é a “Devaneios de Jovens Adultos”. Um rapaz postou uma poesia que achei muito interessante. E, tão logo a li, me senti compelida a continuá-la...

 

Transformações 1/27/2005 4:03 AM

(postado por Eric)
Recebi por e-mail e estou mandando um trecho pra vcs....é muito interessante


A tristeza virou depresão
O espaguete virou miojo pronto
A paquera virou pegação
O que era praça virou shopping
A caneta virou teclado
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O album de fotos agora é mostrado por e-mail
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O samba virou pagode
O carnaval de rua, Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
Fortificante não é mais Biotônico
Folhetins são novelas de tv
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da fm e tv
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

 

Uma possível continuação 1/27/2005 3:33 PM (postado por Juliana Guido)
Requeijão virou "especialidade láctea"
Espiritualidade está à venda na TV, em vários formatos
Sexo, também, em 12 vezes no cartão
As pessoas não mais farão, mas "estarão fazendo"
Seu banco tem um "ótimo relacionamento" com você
(claro, ele te f*** gostoso todo mês)
A beleza é padronizada: loira e sem celulite
Não dá pra tirar a maldita Times New Roman do computador
Sorvete não tem mais muito gosto
O amor também não
A nova arquitetura é neo-neoclássica
Todo mundo usa as mesmas cópias do último desfile de Milão,
seja em Nova York, Tóquio ou no Brás
As escolas não ensinam ética
Mas o desenho animado tem que ser politicamente correto
As relações duram o tempo de uma reportagem da Caras
Ninguém cria mais nada
Expressar sentimentos não é produtivo
Todo mundo mexe no seu queijo
Felicidade é uma obrigação social
Tristeza é um estorvo
Depressão tem cura – uma drágea duas vezes por dia
Ou uma ida ao shopping mais próximo de você
Privacidade é besteira
Se resguardar é frescura
Protestar é coisa de comunista e o comunismo, assim como o sonho, acabou
Contestar é inútil
Balada toda noite
Fisk todo dia
A academia de ginástica pergunta se você quer ser baleia ou sereia
A maior atração da TV é um bando de gente fútil fechada numa casa
A TV é vulgar
A literatura é vulgar
A música é vulgar
Pessoas se tornam vulgares
O mundo está se tornando todo igual, bobo, frio, tecnológico, globalizado
E vulgar.

Você não é uma pessoa.
Você é o que tem. O que consome. O que aparenta.


Eta vida besta, meu Deus.



Escrito por Juliana Guido às 19h08
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Escrito por Juliana Guido às 18h57
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       Depois de muito tempo, tomei vergonha na cara e realizei a antiga vontade/curiosidade de ter um blog. Zilhões de coisas a escrever, o cérebro, um turbilhão, tal qual máquina de lavar. Sem saber por onde começar. Ora, por que não me apresento???

        Sou Juliana Lopes Guido, tenho 30 anos, sou sagitariana com ascendente e Lua em Câncer – o que me torna uma espécie de meio mulher/meio bicho tentando ser minimamente racional em meio a uma emotividade fora do comum. Não sei se é por causa do mapa, mas de fato sou assim – a maior manteiga derretida sobre a face da Terra tentando dar uma de durona. Por baixo de uma aparente extroversão escondo um ser introspectivo, que se sente muito bem com a solidão – sem desgostar do contato humano. Na verdade, tenho a capacidade de me isolar mesmo em meio a muita gente.

        Me formei em Arquitetura pela USP há seis anos mas só durante os três primeiros exerci de fato a profissão (a primeira coisa que encolhe numa crise econômica é a construção civil...). No fim, atendi ao chamado não só da água batendo na bunda, mas também o dos genes – meu avô é perito criminal aposentado, e dos melhores – e prestei concurso para papiloscopista policial, função que exerço há dois anos e meio. Surpreendentemente, me apaixonei por essa função mais do que achei que fosse gostar um dia. Claro, ainda quero ser como o vovô quando crescer, mas enquanto isso...

        Adoro gatos. Considero-os animais fascinantes pelo seu senso de independência, nobreza inata e beleza. Fidelidade, também – essa história de que os gatos não gostam das pessoas é balela. Se você conquista um gato, a amizade é para sempre. E eles prezam sua companhia. Neste momento, Joaquim (o siamês mais lindo do mundo, segundo este juízo suspeito) está em cima da minha CPU, me vendo escrever e ouvindo música (Pretenders, Nightwish e coisas do gênero em minha playlist – Agora, neste exato momento, ouço “Changes” com Ozzy Osbourne).

        Praticamente não assisto TV. Pois não é que, quando voltei para São Paulo depois de dois anos morando em Bauru, não dei TV e videocassete de presente para uma amiga? Posso viver tranqüilamente sem TV, mas jamais sem música. Ouço de quase tudo, de rock e pop a música étnica, passando pelo brega, samba-rock, soul, disco music, Janis, David Bowie, U2, Nightwish (descobri há pouco tempo e adorei), Aretha Franklin, Etta James, Donna Summer, James Brown – estou esquecendo alguém? Sendo música boa, está valendo. 

E livros. Sou uma leitora compulsiva. Leio de tudo, até o Estadão, mesmo que seja para xingar. Mas está claro que prefiro um bom livro do Érico Veríssimo, Clarice Lispector (um tanto hermética – mas só quem é mulher sabe...), Fernando Sabino ou de qualquer um que saiba transmitir emoção, inteligência e bom humor.

Também amo cantar. Fui vocalista de duas bandas: a finada (e maravilhosa, modéstia à parte, Soul+Blues de Bauru) e a ainda ativa Grammophone Flash Band, daqui de São Paulo. Cada uma com suas particularidades, duas experiências fantásticas. Me sinto em casa no palco e tive a oportunidade de provar por mim mesma o que Janis Joplin quis dizer quando falava em fazer amor com a platéia. Tão forte quanto um orgasmo! No momento estou sem banda – falta encontrar as pessoas certas. (Se alguém se interessar pela idéia, estamos abertos à discussão!)

      É isso aí. Ainda sou uma pessoa em obras. Provavelmente melhor do que fui ontem, mas ainda insatisfeita. Nesse caso a insatisfação deve ser a morte.

     



Escrito por Juliana Guido às 18h55
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