Nana-o-rama


 

    Este é um texto difícil de escrever. Tanto que não consegui pensar em nenhum título mais adequado para ele. Tudo soaria engraçadinho demais, ou teria cara de trocadilho besta, inadequado para o que tenho a dizer. Principalmente se levar em conta que o texto comunica uma decisão particularmente difícil, amadurecida por semanas.

   Sim, estou parando com este blog.

   Por um ano e alguns meses ele foi uma atividade fantástica, além da realização de um desejo antigo. E uma experiência linda, que só tempos como hoje poderiam proporcionar: o de permitir que uma pessoa comum manifeste-se para o mundo em escala global. Isso é o mais bacana da internet e, particularmente, de um blog. Cada pessoa pode ter seu próprio veículo de comunicação. Todos nós somos donos de jornais em potencial. O espaço onde nos mostramos para o mundo. O que pensamos, o que observamos se soma ao que milhares de outras pessoas pensam e observam, numa quantidade de informações atordoante, mas muito enriquecedora.

   Sou grata a este pequeno espaço que me foi destinado no ciberespaço. Através dele manifestei o que passava pela minha cabeça, mostrei desenhos, fotos, um pouco de poesia, ranhetices, implicâncias, idiossincrasias. Mas o maior saldo positivo foi no aspecto pessoal. Conheci gente interessante, reencontrei amigos sumidos pelas brumas da vida, fiz novos amigos. Foi muito bom enquanto durou.

   Mas este é um momento especial em minha vida. Sinto que um ciclo se fecha e outro começa. O que acaba foi vivido de maneira um tanto virtual, como se, de certa forma, eu fosse uma princesa vendo o mundo de uma torre de marfim. De certa forma me escondi atrás do teclado. Me isolei mais do que seria saudável, mesmo se considerando que há muito cidades como São Paulo deixaram de ser espaços seguros e acolhedores. O fato é que sinto necessidade de viver na prática. Não que eu já não faça isso. Até porque a vida tem me dado vários choques de realidade nos últimos anos, como por exemplo profissionalmente. Boa parte de meus sonhos viraram poeira. Sobrou o ar. E precisei aprender a voar. Mas estou intensificando este processo. Tenho milhões de novos planos e projetos. E sinto que não tenho tido cabeça, nem disposição, nem muito tempo para elucubrações de ordem filosófica. Vocês mesmo, amigos, devem ter notado isso. Tenho sido cada vez mais inconstante com este blog e com o Bregorama, também. Como acredito que não devemos fazer nada nesta vida pela metade, acho melhor parar agora do que manter meus amigos na expectativa de novos textos que nem eu sei mais quando sairão, nem como, se inspirados ou não. Até por uma questão de respeito ao leitor.

   Obrigada, amigos. Eu amo vocês. E não estou sumindo nem me despedindo de vocês, longe disso. Só deste blog. Vocês sabem onde me encontrar.

   Obrigada, Nana-O-Rama.

 

   Juliana Guido.



Escrito por Juliana Guido às 12h44
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Um P.S.

 

   Finalmente vou realizar um sonho de adolescência: aprender a tocar guitarra!



Escrito por Juliana Guido às 12h43
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Duas semanas agitadíssimas. Milhões de coisas a fazer. Correria. Absoluta falta de tempo. Para completar, Mãe veio passar dez dias aqui. Dias gostosos. Viajamos a Bauru – mais dias corridos, entre a casa de um parente e outro, um amigo e outro, culminando com uma amigdalite que quase me deixou maluca de tanta dor de garganta... Uma caixa de antibióticos depois, está tudo bem. É só não bobear com a friagem (“dormindo de novo com o cabelo molhado, menina!”) . Mãe voltou hoje para casa, de modo que estou tomada de uma ligeira melancolia – aquela que bate quando alguém querido fica no aeroporto, mesmo sabendo que logo vocês se verão de novo. E outras coisas me deixam melancólica, com aquela mistura de placidez e uma ligeira tristeza que combinam tão bem com o dia nublado e com a chuva fininha do entardecer paulistano... Mas seguem algumas observações esparsas, curtas.

 



Escrito por Juliana Guido às 20h01
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´Bout how to leave alone and letting go

 

   Para se ler preferencialmente ao som de Sometimes You Can´t Make It On Yor Own (One também serve – já ouviram a versão do Joe Cocker?)

 

   Para os budistas, uma das maiores causas de nossa dor é o apego que temos ao que nos cerca, sejam pessoas, objetos ou idéias. Eu diria que o mais doloroso deles é o apego à pessoas. Sim, nós somos interdependentes. Estamos diretamente relacionados, seja por laços de afinidade, de sangue ou só pelo contato cotidiano. Daí para o apego, para o sentimento de posse, é um pulo. Reparem que não digo “posse” só falando em sentimentos amorosos. O engraçado é que às vezes nos sentimos incomodados até com algum colega chato que mudou de seção, como se a ausência fosse fazer alguma falta (ou tivesse feito algum dia...). Mas está claro que a coisa fica pior quando se trata de familiares e amigos próximos. Não acredito que essa proximidade seja à toa. Não sei se existe reencarnação, uma vez que ninguém conseguiu provar sua existência ou não-existência, mas certamente existe alguma razão para que X seja seu pai, Z, sua mãe, para que seja irmão de W e Y, amigo de A, B, C, D e namorado(a) de E. Não é por acaso. Alguma razão tem. E das boas.

    O que esquecemos é que esses laços, mesmo os mais estreitos ou os de família, não precisam, necessariamente, ser permanentes. Eles podem nunca ter sido profundos, de fato. E mesmo o mais próximo pode se romper, sem que consigamos segurá-lo, apesar dos maiores esforços envidados no sentido de mantê-lo. Ninguém é eterno em nossas vidas, nem pai e mãe. Às vezes não é nem a morte física que separa. Sentimentos também podem morrer. Ou não resistir a anos entubado na UTI, na tentativa desesperada que fazemos às vezes, seja por carência, por fragilidade, por necessidade de amor e aceitação, de conservá-lo ao nosso lado. E isso dói. Mas percebi que não há outro jeito. Existe um provérbio chinês que diz que o amor é como um pássaro. Não adianta prendê-lo em uma gaiola, por mais que gostemos dele por sua brilhante plumagem, pelo canto mavioso ou por ter sido presente de um rei. O pássaro se tornará apagado, triste. Mesmo que não morra fisicamente, morrerá por dentro pela falta de horizontes. Se você ama o pássaro, abra a porta da gaiola. Se ele também amar você, dará seus vôos e pousará em sua mão. Abra a porta da gaiola. Deixe-o voar.

 

PS – Joaquim também gosta de dar as suas bandas. Se escapa pela porta, não tem jeito. Já aconteceu de voltar às 2 da manhã, gingando malandramente. Mas ele volta. E vai voltar até quando achar que isso vale a pena. Por que não damos uma de gatos também, de vez em quando?



Escrito por Juliana Guido às 20h00
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Moção de apoio

 

    Venho por meio desta lançar a candidatura do senhor Orkut Buyukkokten, cidadão turco radicado nos Estados Unidos, funcionário do provedor Google, para a presidência da ONU. Sua invenção é mais do que uma mera pracinha da internet destinada ao footing virtual e à especulação sobre a vida alheia, principalmente entre os brasileiros, que a elegeram a grande festa da uva do ciberespaço, a Boca Maldita* da rede. O orkut é muito mais do que isso. Conseguiu uma verdadeira proeza nesses tempos de desencontros: reunir amigos separados pela vida. Eu mesma andei tendo surpresas muito doces, gente com quem não falava há anos e que conseguiu me achar na rede através do orkut. Não posso garantir que todas as pessoas que voltaram permanecerão em minha vida (até pelas razões que expus no texto aí de cima), mas de qualquer maneira é uma alegria tê-las de volta. Sejam bem vindos, estejam à vontade.

 

*Boca Maldita é o apelido de um determinado ponto do calçadão da rua XV de Novembro, em Curitiba, onde as pessoas se reúnem para falar de política, futebol, religião, novidades, teorias conspiratórias, fofocas e afins.



Escrito por Juliana Guido às 19h58
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Programão

 

   Finalmente conheci o novo Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz (um dos prédios mais bonitos de São Paulo, sem dúvida). É menor do que pensei e achei um tanto exagerado deixar um andar inteiro só para Guimarães Rosa, por mais rico que seja seu universo. Mas vale a pena ver, sim! A restauração ficou linda (valeu, professor Paulo Mendes, mereceste o Pritzker) e a tecnologia é usada com inteligência, não como um mero oba-oba moderninho. Muito bom.



Escrito por Juliana Guido às 19h57
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Para Dona Marlene

 

   Eu queria mandar esta mensagem de próprio punho, pela minha mãe. Mas pergunte a ela: os dias foram muito, muito agitados. Não consegui, mesmo, sentar e escrever como a senhora merece. Faço-o agora.

   Engraçado, não a conheço pessoalmente. Ainda. Estarei aí em agosto e quero passar horas batendo papo, como naquele dia em que liguei e tivemos aquela conversa gostosa. Conheço-a pelo que minha mãe conta. Mas já sei que é uma grande honra ter a senhora como uma leitora fiel deste blog. Sinto-me absolutamente encantada em pensar que do outro lado do País existe uma pessoa de tantas leituras que aguarda meus textos com tanta ansiedade e que me vê de maneira tão carinhosa por causa deles. Não é vaidade minha, acredite. É felicidade, misturada com um pouquinho de orgulho, claro. Muito obrigada pelo carinho. Um grande abraço.



Escrito por Juliana Guido às 19h57
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Já atrasada, para variar...

   Que os chocolates desta Páscoa deixem não só espinhas, mas toda a sua doçura em seus dias...



Escrito por Juliana Guido às 19h56
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Amigos, desculpem-me por essa minha irregularidade... Esta semana milhões de coisas passaram pela minha cabeça. Muitas dignas de uma crônica. Mas como concatenar tantas idéias?

 



Escrito por Juliana Guido às 12h12
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Books and the city

 

   Estive domingo passado no último dia da Bienal do Livro. Uma festa! Imaginem esta bibliófila que lhes dirige o verbo cercada de livros por todos os lados. Um Anhembi inteirinho, com todos os tipos possíveis e imagináveis de temas, títulos, formatos. Para surtar, mesmo. E sacar a carteira, como não fazia há muito. Peguei algumas boas promoções e trouxe algumas novidades. O livro do Ziraldo, O Aspite (Assessor de Palpites), que já comecei a ler – gostosinho, só não é melhor porque não tem suas poesias desenhadas, embora suas palavras tenham uma fluência e uma graça parecidas. Impossível não associá-las ao traço solto e gostoso do autor. Edições de Os Maias (Eça de Queirós) e Os Sertões (Euclides da Cunha), dois livros que eu sempre tive a curiosidade de ler. Dois livrinhos de arte, um sobre os impressionistas franceses e outro sobre o Musée D´Orsay de Paris (ai, Mingau, você esteve lá, que inveja!), pequeninos porém competentes, bem impressos. Arte, mesmo que em reproduções, é sempre arte.

    A par da delícia que é estar rodeada por livros, respirando informação, outra coisa me chamou a atenção. O Anhembi estava lotado. Lotadinho. Filas imensas, a despeito dos R$10,00 de entrada e da extorsão de R$15,00 pelo estacionamento. Famílias inteiras. Gente de todas as idades e estilos. E muitos jovens, sim. Discutindo, flanando pelos corredores, dando aquela “escaneada” rápida nos exemplares das prateleiras. O que me leva a uma conclusão: não é verdade que o paulista, pelo menos o de classe média, não goste de ler. Aliás, acredito que a leitura seja algo tão apaixonante que não temos mais pessoas lendo por absoluta falta de informação e acesso aos livros. E só não lemos mais porque os livros andam muito, muito caros. Mas notem que os sebos por aqui são bastante comuns. Ou seja, há demanda. As pessoas querem ler, desejam viajar a outros mundos sem sair do lugar, anseiam por informação e pelo encantamento proporcionado pela literatura. Livreiros, atenção! Não dificultem o acesso das pessoas a essa dádiva. Permitam que os livros façam parte de nossa cesta básica de viver. Aliás, livros e cultura são partes inalienáveis da cesta básica de qualquer país que se pretenda evoluído! Baixem o preço dos livros, pois.



Escrito por Juliana Guido às 12h11
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Mais um livro!

   No sábado antes de ir à Bienal dei uma passadinha em um sebo bem bacaninha na rua Nossa Senhora da Lapa e encontrei um verdadeiro “filho único de mãe solteira”, como diria o Mário da FAU: o último livro de Danuza Leão, Quase Tudo, recém lançado, por um preço realmente ridículo. Li na mesma tarde, de uma sentada só. Uma delícia. A mulher tem história para contar que não acaba mais.



Escrito por Juliana Guido às 12h11
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Já meio passada, mas...

 

(Só espero que Deus não seja simpatizante da Opus Dei!)



Escrito por Juliana Guido às 12h10
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De putadas e deputadas



Escrito por Juliana Guido às 12h09
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Breve conclusão sobre a política brasileira, citando Monicelli

   Siamo tutti fottutissimi, cari amici!



Escrito por Juliana Guido às 12h09
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Observação pertinente

   “O caso das charges contra Maomé e essas mortes todas causadas por ela são uma prova da globalização.”

(De meu amigo e colega Moritz, o japonês mais alemão do mundo. Pois é, a morte, a violência e a intolerância também são globalizadas, infelizmente...)



Escrito por Juliana Guido às 12h08
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